Evite conflitos entre os sócios do seu negócio

Pela nossa experiência apoiando empreendedores de alto impacto, percebemos a vantagem de empresas que são geridas por pessoas com habilidades complementares. Por exemplo, um sócio com perfil mais comercial e outro de gestão, ou um cientista e outro com experiência em negócios. Somando as aptidões, somam-se também as chances do negócio decolar. 

Mas também que ter sintonia! Afinal, construir uma empresa do zero começa sempre com um sonho grande. Se os sonhos dos sócios não estiverem alinhados, o risco de haver divergências nas escolhas é grande. Portanto, ter visões compatíveis sobre o direcionamento que pretendem seguir é fundamental, ou a administração em conjunto, ao invés de fortaleza, pode passar a ser a maior fraqueza da empresa. Nesse artigo, vamos trazer quatro dicas para evitar possíveis desentendimentos entre sócios e construir uma parceria de sucesso:

Mudanças de rumo acontecem, antecipe-se a elas!

Em geral, quando o negócio começa a prosperar, os sócios estão em um momento de vida em que o foco está no trabalho. Porém, com o tempo, os empreendedores podem tomar rumos diferentes, e os sonhos também podem começar a caminhar em direções divergentes.

Se um dos sócios decide se aposentar, como fazer? Ou ainda, se um dos empreendedores está precisando de dinheiro e suas decisões passam a ser orientadas para vender sua participação na empresa? Se isso não estiver bem alinhado, as consequências podem ser duras para o negócio.

Para evitar um ruído no futuro, a medida mais comum é o acordo de acionistas. Ele não resolve problemas societários, mas é uma forma de combinar os caminhos ainda enquanto a relação está boa. Como disse Paulo Cezar Aragão,

"Um bom acordo de acionistas vai ficar empoeirado antes que seja necessário tirar ele da gaveta".

Garanta decisões estratégicas para o negócio - a criação de um Conselho pode ser uma saída! 

Pode acontecer que, a partir de determinado patamar de crescimento, o apetite para arriscar e investir seja diferente entre os sócios. Normalmente, quando a empresa começa, eles têm muito pouco a perder e é a hora de assumir riscos. Porém, conforme o negócio vai prosperando, os volumes transacionados passam a ser cada vez maiores, assim como o valor da empresa.

Há casos em que um dos sócios quer investir todo o lucro na operação, e ainda levantar dinheiro no banco para alavancar o crescimento, enquanto o outro deseja retirar dividendos da empresa a qualquer custo. Junto com a receita, crescem também as despesas e os riscos. Neste contexto, um movimento mal calculado, ou um simples ano ruim, pode botar tudo a perder.

Para garantir que as decisões estratégicas sejam tomadas com foco no que é melhor para o negócio, e não apenas para os acionistas, uma boa opção é construir um Conselho, seja ele consultivo ou administrativo.

O Conselho tem o papel de criar um processo em que os executivos da empresa prestam contas não só aos acionistas, mas também a conselheiros independentes. Além de serem guardiões da governança, os conselheiros devem ser pessoas que possam contribuir com seus conhecimentos de negócios, e ajudar nas decisões mais estratégicas.

Crie uma governança clara

Quando os sócios possuem participações paritárias, e nenhum deles foi definido como CEO da empresa, pode haver um conflito de “quem é que manda aqui?”. Algumas empresas definem diretorias separadas, com escopos de atuação bem definidos, ou possuem um cargo de CEO no qual os sócios se alternam.

Quando o estilo de gestão e a cultura empresarial fomentada por cada sócio é muito diferente, em longo prazo, isso pode levar à construção de feudos dentro da empresa, que terão cada um o seu estilo, sua linguagem e sua própria cultura de gestão.

Para evitar que isso aconteça, um caminho é criar uma governança clara para a empresa. Uma estrutura organizacional documentada é a chave para evitar grande parte das discussões entre sócios. Além disso, definir de forma clara os papéis de cada um evita que a equipe receba orientações conflitantes vindas das lideranças.

Cuide para que a estrutura societária reflita a realidade

Às vezes, o sócio que toca a operação da empresa com mais intensidade não tem uma participação relevante no negócio, o que, em longo prazo, pode desmotivá-lo. Acontece de o pai ser o dono, mas o filho tocar o dia a dia, ou um funcionário assumir um papel chave e não ter participação societária.

Além disso, é importante não confundir participação acionária com remuneração pelo trabalho. O montante que o executivo recebe pelo seu trabalho na empresa, sendo ele sócio ou não, deve ser determinado pelo valor de um salário equivalente no mercado. Outra conta é quanto cada acionista recebe dos lucros da empresa, em proporção à sua participação acionária.

Os planos de compra de participação pelos funcionários, ou até entre os sócios, podem ser uma iniciativa viável. Eles dão a chance de pessoas importantes para o desempenho de o negócio conquistarem uma participação societária relevante, e assim se manterem engajadas e ainda mais comprometidas com as entregas.

Por fim, é importante lembrar que os instrumentos de governança ajudam, mas, no final do dia, conversas sinceras entre os sócios para entender o momento de vida e as aspirações de cada um são o pilar fundamental para evitar problemas, e devem ser parte da rotina de longo prazo de uma sociedade.

Talvez o mais difícil nesses casos seja conseguir parar para ter uma conversa sincera no meio da correria do dia a dia, mas é essa parada estratégica que pode ajudar o seu negócio a atingir novos patamares. Vai que dá!